Um tapa na cara, sem motivo e talvez sem querer, sem um
fato justificável, mas, foi um tapa. Sorri querendo chorar, desculpei-me
aceitando as desculpas, desculpei querendo revidar, mas, revidar o que? O tapa?
A dor? As lágrimas contidas? Foi apenas um tapa, um tapa que ardeu, um tapa que
doeu, um tapa sem querer que desflorou vários quereres com um único motivo: o
próprio tapa. Embora creio que escrever até aqui eu tenha perdido três ou dois
minutos esse pensamento todo foi formulado em segundos, segundos cuja a dor foi
intensa, no corpo, na alma, na dignidade, afinal quem sou eu para levar um tapa
assim? E o por quê? Dói não saber o porquê, dói muito mais que a dor que dói na
carne. Segundos guardam eternidades e eternidades guardam descobertas, e quando
eu já não aguentava viver mais aquele instante, eis que surge um prazer
inexplicável. Um prazer vindo da dor, um prazer que me fez esquecer do porque e
apenas aceitar o sentir: senti-me forte, senti-me vivo, senti-me ali, senti-me
digno da intensidade, da eternidade, da dor e principalmente do prazer.
4
de
Postado por
Vilma
Lucas da Silva e Silva
1 comentários:
Uau! Que misto de sensações :)
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