Um beijo começa no silêncio dos olhos tateando todo o corpo até chegar à boca, são segundos que duram uma eternidade que guarda e gera consigo milhares de possibilidades e taras. Pés, coxas, abdômen, seios, queixo, boca, olhos, boca, olhos, boca, olhos... olhos nos olhos e os olhos se fecham. O pacto está selado.
Ambos já sabem o que desejam. Ambos sabem que querem chegar no mesmo lugar.
O sorriso ‘safado e discreto’ é apenas a confirmação de que as bocas se conectaram.
A tensão acaba, as bocas relaxadas se desejam, os narizes se cheiram, as mãos se perdem entre os cabelos, os dedos passam ao redor do rosto, as mãos desenham a boca e massageiam a nuca, de novo é o cabelo, são as orelhas, são as mãos, isso tudo são as primeiras protagonistas a atuar nesta cena.
Não procure entender, não pense, explore-me, resista-se, entrega-se que eu te devoro.
Olha-me e eu lhe olho, a respiração começa a ter outro ritmo, as bocas exalam magnetismo, se atraem, se seduzem, pedem para se tocar, imploram para os anjos saírem, pois, já cumpriram seu papel. A primeira boca toma iniciativa beija o pescoço, os olhos se fecham, os anjos dizem amém, as bocas estão cada vez mais perto de se encontrarem, mordidas ali e aqui, beijos em lugares inesperados, e o inevitável acontece, as bocas de sobrepõem, se encaixam, encontram uma forma nova de se comunicar.
Os lábios se mordem, se chupam, se comem, se beijam, as línguas brincam como duas crianças ora se abraçando ora correndo sozinhas, o fôlego desaparece, moremos e ressuscitamos o tempo todo, isto é vida, isto é beijo, isto é fazer amor, eu te quero, você me quer, não precisamos falar, não precisamos saber, apenas sabemos, mordemos o fruto proibido do paraíso, conhecemos todos os segredos, cometemos o pecado do prazer e agora somos condenados a sermos durante cada beijo nosso a sensação do céu e do inferno um do outro por toda a eternidade.
_Lucas
14
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Vilma
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